Quando falamos de análise de sangue, habitualmente pensamos no que acontece com esta “amostra" que se obtém durante a colheita. Na realidade, retiram-nos uma amostra de sangue, mas depois, dependendo dos testes que vamos analisar, esta amostra original pode transformar-se noutros tipos de amostra. Hoje explicamos-te duas delas: o plasma e o soro. Embora ambos sejam componentes líquidos derivados do sangue, apresentam diferenças fundamentais na sua composição, no método de obtenção e nas análises que permitem realizar.
O que é o plasma?
O plasma é um líquido transparente ou ligeiramente amarelado, onde estão suspensos os elementos celulares, hemácias, leucócitos, plaquetas e contém todos os fatores de coagulação. Representa aproximadamente 55% do volume total do sangue. A sua principal função é, atuar como meio de transporte para diversos elementos dentro do fluxo sanguíneo, como células, proteínas, hormonas e outros nutrientes.
Obtém-se ao centrifugar uma amostra de sangue recolhida num tubo com anticoagulante, como EDTA, citrato ou heparina, o que impede a coagulação e permite separar os elementos celulares do componente líquido.
O que se analisa no plasma?
- Eletrólitos
- Hormonas
- Proteínas plasmáticas
- Parâmetros de coagulação (TP, TTPA…)
- Marcadores inflamatórios
O plasma é especialmente útil em contextos de urgência, pois pode ser processado rapidamente, sem necessidade de esperar que a amostra coagule.
O que é o soro?
O soro é a parte líquida transparente do sangue que fica depois de retirar as células sanguíneas e as proteínas coagulantes (fatores de coagulação). Também é chamado soro sanguíneo.
Obtém-se ao deixar coagular o sangue (sem anticoagulantes) durante cerca de 30-60 minutos e depois centrifugá-lo para separar a parte líquida do coágulo. Frequentemente, utilizam-se tubos com gel separador para facilitar a separação entre soro e coágulo.
O que se analisa no soro?
- Perfil lipídico
- Enzimas hepáticas
- Serologia (anticorpos)
- Testes imunológicos
- Marcadores tumorais
O soro é ideal para estudos do tipo bioquímico, hormonal ou imunológico, como os realizados em controlos de rotina.
Diferenças chave entre plasma e soro
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Característica |
Plasma |
Soro |
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Presença de fatores de coagulação |
Sim |
Não |
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Método de obtenção |
Sangue com anticoagulante + centrifugação |
Sangue sem anticoagulante + coagulação + centrifugação |
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Tempo de processamento |
Imediato |
Requer 30-60 minutos |
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Cor habitual |
Ligeiramente amarelo pode ter uma ligeira turbidez. |
Mais claro (pode variar conforme os lípidos) |
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Usos principais |
Coagulação, urgências, transfusões |
Bioquímica, serologia, imunologia |
Porque é importante esta distinção?
É importante distingui-los, porque embora muitos dos parâmetros analisados no Laboratório possam ser realizados nos dois tipos de amostra, devemos preparar o tipo de amostra adequado conforme o que o Laboratório nos exigir; outras vezes não, não é possível realizar a análise nos dois tipos de amostra, apenas num deles, como por exemplo todos os parâmetros de coagulação, que só podem ser determinados no plasma. Utilizar o tipo incorreto pode alterar os resultados ou até invalidá-los. Por isso, nos laboratórios clínicos seleciona-se cuidadosamente o tipo de tubo e o método de processamento conforme a análise necessária.
Além disso, do ponto de vista clínico, o plasma é também utilizado em transfusões, especialmente em pacientes com distúrbios de coagulação ou hemorragias, enquanto o soro é a amostra mais utilizada no Laboratório porque é mais fácil de manusear.
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